Admito que estou com medo... medo do novo, medo do que não sei o que é, medo do futuro.
Os sentimentos de impotência e frustração me são comuns, sei como vêm e como são alimentados. E o sofrimento associado a isso também é bastante familiar, me corroe e me mantém num ciclo de auto-piedade interminável.
Se já sei como é isso por que continuo perpetuando tais comportamentos? Exatamente por me soar tão familiar. A zona de conforto me faz pensar que estou no controle.
Mas tô cansada disso! Cansada dessa insanidade! Cansada de reviver o passado.
Acontece que me lançar ao novo me gera uma inquietude e perturbação que me dão a certeza de que não estou no controle... e nunca estive. Aceitar isso é difícil, mas também traz alívio. Ufa! Não preciso saber tudo que vou fazer e ter certeza de todos meus passos, posso ficar tranquila e deixar que as coisas aconteçam da forma como devem acontecer e no seu devido tempo.
Em contraposição me cobro, pra fazer o melhor que posso fazer e pra ter consciência do que estou fazendo. Tal cobrança também me tira da zona de conforto e me lança a questionamentos que ainda não sei responder, mas que quero compreender. E isso me gera crise, pois quero me dar o tempo que preciso e ao mesmo tempo saber o que vai acontecer. Controle denovo!
Tenho dificuldade em me expressar, pois quero controlar as palavras. E cada vez que penso pra falar me escondo mais e me distancio do que realmente queria dizer. Eis que surge uma pessoa em minha vida que me desafia e me cutuca, fazendo eu dizer o que mais tento esconder. E pra me proteger ataco ou recuo... pela primeira vez quero ficar e enfrentar, comprar a briga e ver o que vai dar.
E pior, hoje mesmo disse que quero paz e tranquilidade em minha vida. Que grande mentira! O que eu quero é controlar uma situação, justificar e retomar os sentimentos acima citados.
Lidar com a situação e superar é mais difícil, pois rompe com meu atual padrão. Dizer o que penso e ser clara com meus sentimentos me desnuda e evidencia minha fragilidade. Mas para viver o novo preciso me permitir... me entregar e acreditar que nada é por acaso.
Ninguém disse que seria fácil!
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